terça-feira, 22 de maio de 2012

direção, graduação e flagelação



'Ele não sabia desenhar mãos, mas os olhos eram perfeitos.


Foi um impulso. Ansiedade que me apertou até a noite. Sentia-me seguro para fazer. Era o momento. Foi uma nova fase, é uma nova fase. Sempre passamos de fase em fase até chegar no chefão final. Dói, mas não muito. Depois damos risada sobre as besteiras realizadas. São besteiras e fraquezas expostas. Sempre foi fraco e sua fraqueza era não desenhar mãos. 


Elas o salvou. Entregues a receber... mas salvou. Suas mãos.'

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Yoko Ono, poder, consumo, movimento e libertação


  " Se te queres matar, por que não te queres matar? 
    Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida, 
    Se ousasse matar-me, também me mataria... 
    Ah, se ousares, ousa! 
    De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas 
    A que chamamos o mundo? 
    A cinematografia das horas representadas 
    Por atores de convenções e poses determinadas, 
    O circo policromo do nosso dinamismo sem fím? 
    De que te serve o teu mundo interior que desconheces? 
    Talvez, matando-te, o conheças finalmente... 
    Talvez, acabando, comeces... 
    E, de qualquer forma, se te cansa seres, 
    Ah, cansa-te nobremente, 
    E não cantes, como eu, a vida por bebedeira, 
    Não saúdes como eu a morte em literatura!"
Trecho do poema de Álvaro de Campos 
'Se te Queres'


Verbal e gestual. Movimentos interligados em uma só linguagem, a do corpo.

Em formas sintetizadas, limitadas e muito depravadas o corpo exerce um único objetivo, o de ser.

O corpo toma formas que não são possíveis de serem controladas. Formas, atitudes.
A dor que não existe após o surgimento da anestesia. O grito que se cala nas noites. O poder exercido por supérfluos. A sociedade que se esconde. Onde estão os depravados?

Os transgressores se escondem para não serem pegos. Os putos não se  colocam ao risco. É muito arriscado. Os corpos se movimentam sobre lençóis, onde não se vê nada. As luzes frias não conseguem mostrar as formas e os gestos. A sujeira impregnada na pele. O verbo que não se fala. A escrita que se limita. A tinta que escorre.

Tudo começa do marco zero do ser. O corpo. Se entrelaça e se mostra como ser vivo. Se move, orgânico. Entra em cena o próprio ser. Os externos marcam em sua pele a sujeira do inútil. Marcam o verbo do mal feito e mal falado. A tinta escorre e o corpo se desmancha. Se torna outro corpo. Outro ser. Começa um ciclo infinito de  vai e vem. De renascimento estético e experimental. Pois somos o zero. O começo. O depravado escondido no primeiro momento de vida.

Macacos&Crocodilos acontece dia 19/05 na Casa Mafalda 
Entrada: R$ 5,00
Rua Clélia, 1895, Lapa. A três quadras do terminal Lapa e da estação Lapa da linha 8 da CPTM. Telefone: (11) 8890-3500

terça-feira, 15 de maio de 2012

macacos&crododilos



Verbal e gestual. Movimentos interligados em uma só linguagem, a do corpo.

Em formas sintetizadas, limitadas e muito depravadas o corpo exerce um único objetivo, o de ser.

O corpo toma formas que não são possíveis de serem controladas. Formas, atitudes.
A dor que não existe após o surgimento da anestesia. O grito que se cala nas noites. O poder exercido por supérfluos. A sociedade que se esconde. Onde estão os depravados?

Os transgressores se escondem para não serem pegos. Os putos não se  colocam ao risco. É muito arriscado. Os corpos se movimentam sobre lençóis, onde não se vê nada. As luzes frias não conseguem mostrar as formas e os gestos. A sujeira impregnada na pele. O verbo que não se fala. A escrita que se limita. A tinta que escorre.

Tudo começa do marco zero do ser. O corpo. Se entrelaça e se mostra como ser vivo. Se move, orgânico. Entra em cena o próprio ser. Os externos marcam em sua pele a sujeira do inútil. Marcam o verbo do mal feito e mal falado. A tinta escorre e o corpo se desmancha. Se torna outro corpo. Outro ser. Começa um ciclo infinito de  vai e vem. De renascimento estético e experimental. Pois somos o zero. O começo. O depravado escondido no primeiro momento de vida.


Macacos&Crocodilos acontece dia 19/05 na Casa Mafalda 
Entrada: R$ 5,00

Rua Clélia, 1895, Lapa. A três quadras do terminal Lapa e da estação Lapa da linha 8 da CPTM. Telefone: (11) 8890-3500


terça-feira, 8 de maio de 2012

Segunda parte de um texto / O ser artista

O ser artista. Parte 2
Um estudo, um diagnóstico sobre o artista e seu ofício_


Júnior Ahzura
Juno, 2012
Manipulação fotográfica
Dimensões Variadas

Estou em conflito interno sobre a produção artística. Ainda me pergunto...'O que é o ser artista?'. Seria a pergunta certa? Seria melhor perguntar o que é o artista? Uma palavra muda muita coisa. Um detalhe muda muita coisa. Por partes fico observando as tendências, os trejeitos do artista contemporâneo. Impossível. Como anteriormente dito, não posso generalizar, mas também não tenho como citar nome por nome. O objetivo não é mapear cada ser em uma escala macro. Nem micro. É simplesmente descobrir. Desvendar o ser artista. A cidade, o lugar, o tempo e espaço fazem parte de tudo isso. Ora por ser o ambiente em seu tempo e lugar, ora por ser simplesmente algo que se refere ao ser artista. Ser artista é o fazer, o ser do verbo 'é'. É um artista? O ser que produz algo. O ser que exterioriza o sentimento. O pensamento. O filósofo que se expressa pela não palavra. Pelo visual. Sonoro, tátil. Mas palavras não são grafismos? São visuais. É o visual que manda no mundo. os sentidos são perdidos no tempo e nos espaço. Sobram os pontos luminosos, os detalhes. De acordo com meu pensamento o artista se resume no bruto. O bruto do caos. Do pensamento. Onde se esculpi a arte final.